25 outubro 2012

Morte Surreal

Você é doido varrido? (você é só de estar aqui). Bem, vou descrever mais ou menos um sonho que tive um dia desses acrescentando algo a mais de minha imaginação...


 Autoria© MORTUUS ET CRUENTUM

Chego na casa que eu sempre via em meus sonhos, era à duas esquinas na minha nova casa que acabei de comprar, como se algo tivesse me levado até aqui, e ouço um canto de crianças, um coral, cantando constantemente, perecia que cantavam pra se libertar de algo, minha curiosidade me leva a ir atrás de descobrir a causa de uma imaginação tão forte, e por que crianças cantando?
Entro em certa casa todos os dias e a cada dia que entro o som que era agradável e ao mesmo tempo de pavor, se torna mais constante. A cada dia que entro sinto uma história diferente vindo daquela casa... Imaginação ou dèjá vu?

Em minha rotina de entrar na casa misteriosa, quase todos os dias como se fosse uma droga, acabo pegando em um sono muito pesado, parecia estar entrando em transe, de repente começa a vim em minha mente aquela mesma casa em que eu estava, mas com móveis muito mais antigos e árvores no quintal (a casa apenas possui agora um pátio vazio), avisto crianças num dia nublado sendo carregadas aos montes, vejo crianças servindo de comida para cachorros, famintos devorando cada pedaço do corpo, seus pés sendo cozinhados, suas costelas sendo devoradas, algumas ainda vivas, ao invés de gritarem e chorar, começavam a cantar tão forte, a cada vez que aumentava sua dor, seu refúgio era o canto.
Acordei então, susto de surrealismo tomou conta, acordei suando e com o corpo frio.
No outro em que entro na casa, por conta de minha curiosidade em descobrir porque vinham coisas que pareciam tão reais em minha mente e sempre se repetiam, começo  a entrar novamente em um tipo de transe. Dessa vez, Eu também era protagonista de meus sonhos, lá estava eu fugindo, e adivinha, novamente ouço aquela cantoria sem parar ficando mais forte, eu não sabia de que estava fugindo, mas, cada vez que o canto aumentava eu sentia precisar correr mais rápido, mas eu corria em círculos, entrei na casa misteriosa novamente e de repente está cheia de sangue, peguei uma faca pra tentar me proteger de algo ameaçador, mas não avistava absolutamente nada. Acordei então, a cada vez que eu acordava de meus transes eu sentia que deveria continuar, precisava descobrir o que as crianças devoradas tinham haver com aquilo, e porque cantavam ao invés de pedirem clemencia. por que no outro dia apenas pude ouvi-las mas não avistei nada além de sangue e só pude pressentir algo ameaçador mas não sabia de onde.
A cada dia que eu entrava naquela casa me sentia pior, eu já não enxergava a casa colorida, meus olhos lá dentro agora, apenas preto e branco, como num filme antigo de terror. Dessa vez eu não queria mais entrar em meus sonhos surreais, queria apenas ouvir o coral das crianças, mas, diante da musica que vinha de minha cabeça, eu acho que era da minha consciência ou estou louco, eu acabei apagando novamente. Mi  vi então numa espécie de labirinto e a cada esquina, a cada curva havia uma criança de ponta pé com suas pernas abertas e uma serra entre seus estômagos, uma lamina cortando cada curva de seus corpos, eu “tentava” tira-las dali mas, em vão, eu não conseguia toca-las muito menos “querer” ajudar, mesmo assim pensava comigo mesmo “será que eu precisava ajudar elas?”. Estavam estraçalhadas ,e eu, parecia lembrar o momento em que morreram, o momento em que a serra entrava lentamente em seus estômagos e elas, tentavam cantar com o sangue escorrendo garganta a fora, suas mãos pequenas sendo pregadas contra seus rostos com pregos, assim cobrindo e dando uma afeição mais triste. Eu continuava tentando achar o fim do labirinto de horrores, mas apenas conseguir chegar no meio, novamente não avistei “a coisa” ameaçadora que fez o trajeto de torturas até ali.
Chega, não quero mais entrar naquela casa, acordei de meu transe de torturas, medo, lembranças de algo que não sei o que é, lembranças de algo que nunca aconteceu, ou ao menos, eu achava , não lembrava, é, estou a beira da loucura.
Mi mudei para outro bairro, já que não posso me mudar de cidade, mas continuo ouvindo as crianças cantarem em momento de tortura, era um canto arrastado, de uma voz fina suave se tornando gargarejos grossos.
Comecei a ir em um psicólogo, contei tudo, e na mesma noite ele morreu de um ataque cardíaco, quando eu quiser matar alguém contarei o que se passa comigo, quem sabe ganharei dinheiro sendo um assassino profissional que não deixa rastros, é, ainda tenho momentos irônicos e de brincadeiras, é a única maneira que esqueço por alguns segundos dos sonhos que me persegue.
Eu estou um pouco longe da casa que me dava lembranças, mas em compensação não consigo mais dormir, não sinto fome, estou fraco, eu precisaria muito pegar num sono profundo, e parece que só conseguia isto naquela casa, se eu continuar assim vou adoecer, mas não voltarei lá, minha curiosidade só me levou ao desespero e coisas surreais que estão me deixando louco. Os dias se passando, já faz dias que não durmo, quando quero pegar no sono eu dou um pulo da cama por nada, não tenho família nem amigos, os poucos que eu tinha se mudaram de cidade há muito tempo, e eu, não tenho um trabalho fixo, estou preso aqui, preso nesta cidade, mas sinto estar preso na minha mente.
Não aguento mais, preciso voltar naquela casa, preciso dormir, isso quer dizer que vou novamente entrar “no meu” tipo de transe. Dessa vez fui numa noite, de lua cheia, entrei naquele lugar silencioso, desta vez não ouvi crianças cantando e fui determinado a acabar com isso! Pensei comigo mesmo que desta noite não passava eu mandaria em minha própria cabeça, em meu próprio consciente, entrei em um transe profundo e vi tudo, senti tudo, voltei naquela época de torturas, vi novamente a casa com muito sangue vazia e eu fugindo de algo, eu estava só no local e mesmo assim eu estava fugindo, eu pegava facas, serrotes pra intimidar tal coisa de que eu estaria fugindo, mas, não via nada. Quando vem uma das crianças torturadas em outros sonhos, em minha direção e diz em umas palavras cortadas pelo medo, em que eu estava fugindo de mim mesmo, eu cantava pra fugir de meu passado e agora minha mente surtou e, o que eu tinha bloqueado se desfez, o muro em que eu havia construído em minha mente para não lembrar das coisas terríveis que fiz, desmoronou, enlouqueci, percebi que essa “coisa” ameaçadora era eu, as serras, facas e outro objetos de torturas que eu pegava pra me defender, na verdade eu precisava usar em mim mesmo, eu era a ameaça, eu era a pessoa de quem eu fugia de quem as crianças temiam e cantavam pra mim lembrar. Naquele momento não sabia mais o que era real ou não, quando acordei, cortei meu pescoço com uma força tão grande, tentei cantar para a dor aumentar, não saia mais voz nenhuma de mim e apenas sangue... Agora, vivo pra sempre em meus sonhos. A loucura em coisas surreais sempre irão me acompanhar. A lembrança de que eu sou uma ameaça de mim mesmo está marcado pra sempre no meu sonho.

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